Uma busca qualquer em um dia qualquer

Retratos da vida com os buscadores, essa nova espécie de sites tão singela e poderosa que nasceu junto com a web comercial e se tornou dona dela.

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Tuesday, May 02, 2006

JB ONLINE : reflexão sobre a nova interface

Contexto: na semana passada, o JB online surgiu com uma interface radicalmente diferente, que procura ser a simulação mais perfeita possível da versão papel. A justificação da nova interface, segundo o próprio JB, seria que "programas de computador maldosos" diminuem a qualidade do serviço.

Um amigo me enviou hoje um e-mail perguntando o que eu achava dessa nova apresentação e resolvi colocar aqui minha resposta.

Quais serão as conseqüências dessa nova interface?
Essa medida que o próprio JB apresenta como uma proteção pode, na realidade, acabar tirando o jornal da corrida à informação da forma como ela é produzida atualmente: o jornal vai deixar paulatinamente de ser citado.
É interessante ver como se inscreve essa nova posição do JB em relação aos pesos pesados da imprensa nacional online.
Atualmente, quem chega em primeiro lugar, é o estadão, que deverá consolidar sua liderança nacional, com seu site extremamente robusto, totalmente aberto e profissional. Nota-se que o estadão é o único dos grandes que NÃO está integrado a um portal de fornecedor de acesso (Terra, UOL, etc), o que denota uma personalidade muito forte e independente.
No Rio, é o site da Globo que vai sair lucrando. O portal deverá acabar de consolidar sua liderança absoluta, inclusive porque a marca Globo também concentra seus próprios portal e fornecedor de acesso.

Leio o JB online desde 1995, foi um dos primeiros grandes periódicos no mundo a ter um site excelente, sem falha de design, de estrutura, desde o início, estrutura original aliás que praticamente se manteve até hoje. Um site feito com inteligência e lógica autênticas. Mas desde que foi integrado ao portal do terra, na minha opinião, o site do JB online veio decaindo, perdendo muito de sua identidade. O portal que o cerca pertence a uma multinacional, que oferece, aliás, várias outras fontes de informação que eu considero concorrentes, tanto em termos de tipo de mídia que de conteúdo.
O site do JB poderia ser contraposto ao da Folha online que, apesar de ter sido integrado à UOL, conseguiu manter uma identidade forte, com muito conteúdo, traduções de artigos de grandes títulos da imprensa internacional, etc. A folha optou pelo serviço pago, sim, mas de alta qualidade e diversidade.

Tudo isso me leva a pensar que nova interface do JB está totalmente na contramão e confirma que apesar do JB ter sido líder da imprensa nacional online, hoje não está conseguindo encontrar seu lugar no espaço da informação eletrônica.
A meu ver, a opção do JB pela versão igual ao papel contém no mínimo um erro muito óbvio: criar uma concorrência DIRETA entre a versão papel "verdadeira" e a versão papel online.
Com certeza não serei o único a ter essa opinião; e que isso vai no mínimo piorar a situação da versão online, vai, embora haveria que saber se trouxe algum impacto positivo para a versão papel "verdadeira".
Vejamos como esse risco de concorrência interna foi administrado pelos concorrentes, a Globo por exemplo. Esta demonstrou uma saudável prudência, optando pelo compromisso, oferecendo no seu portal ambos o "Globo online" e a "versão papel", réplica da versão impressa. Essa última, tecnologicamente moderada, usa, o formato PDF, que é "universal", "baixável" e "reutilizável".
Contudo, o mais grave para o JB é que, em nome da preservação de seu conteúdo, condena qualquer reutilização de seus artigos online. A conseqüência é que, para ser citado, o JB exige agora do usuário o demorado e jurássico esforço da digitação manual do texto, com os prováveis erros que isso envolve; o clipping do JB não pode mais ser feito de forma eletrônica, então seu uso vai começar a custar mais caro que os outros, que já estão com mais peso. Dependendo do assunto, outros jornais cariocas online (penso no Jornal do Commercio) vão acabar ocupando o lugar.

Somados ao problema primeiro e mais óbvio da interface - a exigência de uma conexão e PC rapidíssimos, caríssimos!- , todos esses fatores vão atrasar e reduzir a circulação do conteúdo do JB online.

Conclusão
O que mais choca nessa nova interface do JB online é a recusa de que a diferença entre a versão eletrônica e papel de uma publicação não está no conteúdo, mas na forma de o percorrer. Ela exclui seu conteúdo daquilo que está fundamentalmente em jogo na escrita eletrônica, e que é específico dela: poder ser percorrida, "manuseada", filtrada, in fine lida, por robôs , ou seja, pelos buscadores que hoje regem a massa da informação na Internet...

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